terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Soneto do Amor demais


Por: Vinicius de Moraes



Amo-te tanto, meu amor... como amigo e como amante.

Não, já não amo mais os passarinhos

A quem, triste, contei tanto segredo

Nem amo as flores despertadas cedo

Pelo vento orvalhado dos caminhos.



Não amo mais as sombras do arvoredo

Em seu suave entardecer de ninhos

Nem amo receber outros carinhos

E até de amar a vida tenho medo.



Tenho medo de amar o que de cada

Coisa que der resulte empobrecida

A caixa do que se der à coisa amada



E que não sofra por desmerecida

Aquela que me deu tudo na vida

E que de mim só quer amor - mais nada.

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