sábado, 14 de novembro de 2009

NAS ENTRELINHAS



Por: Irisbel Correia

Correspondente em Lisboa, em meados de 1906, e uma carta inglesa na mão, e a grande missão de traduzir seu significado. Quando de repente, ao olhar para cima, em letras garrafais deparei-me com a Empresa Íbis, tradutora. Não pensei duas vezes e entrei euforicamente para falar com um dos atendentes, a qual a minha surpresa, quem estava no balcão era nada mais nada menos que um dos maiores ícones da literatura mundial, Fernando Pessoa.
Rapidamente entreguei a carta que estava em minhas mãos, Pessoa, passou os olhos sem piscar por aquelas linhas desenhadas e a primeira coisa que balbuciou foi, é uma carta de mulher, devido o contorno das letras e a suavidade da escrita. Aproximei ainda mais, demonstrando interesse, e em alguns minutos ele me entrega a carta e a tradução. Como fiquei surpreso com a agilidade e pela maneira como afirmou que a carta era feminina, perguntei: como sabia? Fernando levanta os olhos lacrimejados e diz, carta de amor. Mais como te afirmas que é de uma mulher? A recordação de outrora ainda persiste em meus pensamentos. É uma música. Diga-me, o que lhe deu essa certeza? Não consigo te ouvir, não sei. A afirmação foi intensa, como se até soubesse de quem era? A verdade é a ânsia que me domina, pois eu era feliz e agora já não sei.

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